Diagnóstico de uma bactéria escondida

Uma bactéria silenciosa que pode causar desconfortos gastro e intestinais deve ser diagnosticada mesmo em casos onde não houver sintomas. Leia mais no blog.

Trata-se do Helicobacter pylori, mais conhecido como H. pylori, identificado pela primeira vez em 1982 por dois cientistas australianos.

 

“Estima-se que metade das pessoas do mundo o possuam e, no Brasil, essa taxa chega aos 70%”, aponta Jaime Zaladek Gil, gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein. “O índice está relacionado a questões de higiene e saneamento básico. Por exemplo, na Austrália, ele está em 25% dos habitantes”, completa Gil.

 

Tudo começa ainda na infância. “Adquirimos a infecção provavelmente nesse período, mas não sabemos disso porque a bactéria chega e causa uma gastrite aguda pequena, que pode nem se traduzir em sintomas”, conta Maria do Carmo Friche Passos, gastroenterologista professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e vice-presidente do Núcleo Brasileiro de Estudo do H. pylori e Microbiota.

E, mesmo que haja algum sinal como dor de estômago e náusea, o quadro é fácil de ser confundido com uma má digestão passageira. Por isso, dificilmente alguém procura o médico na primeira manifestação da infecção. Discreto, o bacilo passa anos praticamente indetectável, mas ativo.

Uma doença silenciosa

“A maioria das pessoas nunca saberá que tem a bactéria, mas ela provoca um estado crônico de gastrite”, explica Friche. Vale fazer uma diferenciação: gastrite aqui é o processo inflamatório de alguma região do estômago, não a queimação e azia que sentimos e batizamos assim, cujo real nome é dispepsia. Quando se trata da versão crônica, quase nunca há queixas envolvidas.

Sem tratamento, a presença do H. pylori pode evoluir para quadros mais sérios, como uma úlcera (Pedro Piccinini/Abril Branded Content)

“Mas um percentual menor de indivíduos pode ter problemas, entre eles as úlceras, que são em grande parte causadas pelo H. pylori”, aponta Gil. Sem contar que essa inflamação constante está por trás da formação de tumores na região. “O câncer de estômago está muito ligado à presença da bactéria”, destaca Friche.

 

Antes de se apavorar, saiba que é difícil que a bactéria por si só cause a temida doença. “Depende muito da cepa do H. pylori e de outros fatores, como alimentação e herança familiar”, esclarece a gastroenterologista mineira. Mas, como as técnicas para saber qual o tipo de H. pylori que temos ainda são caras e inacessíveis, a recomendação é despejar esse hóspede indesejado tão logo ele seja descoberto.

 

Como é feito o diagnóstico?

Primeiro, existem indícios de que o H. pylori está vivendo no seu estômago. “Ele está associado à sensação da gastrite, náuseas, em especial matutinas, sentimento de estufamento, dor na região ao se alimentar e depois e até vômitos”, explica Dan Weitzberg, gastroenterologista professor da Universidade de São Paulo (USP).

 

Se houver histórico de câncer na família, a recomendação é investigar mesmo sem sintomas – até mesmo porque muitas vezes eles são inexistentes. A pesquisa é geralmente feita por meio de endoscopia: o médico retira com o aparelho um pedaço pequeno da mucosa e realiza um teste que denuncia na hora a presença da bactéria ali. Mas já existem outros métodos, menos invasivos.

 

Fonte: Super interessante

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