Nas últimas semanas, o Brasil enfrenta um preocupante aumento de casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Segundo o Ministério da Saúde, já foram notificadas cerca de 43 suspeitas em nível nacional, com 39 casos somente no estado de São Paulo (sendo 10 confirmados) e 4 em Pernambuco em investigação.
Há confirmação de um óbito em São Paulo, e sete casos sob investigação (cinco em São Paulo e dois em Pernambuco).
Em São Paulo, até o momento, foram dez casos confirmados, sendo três mortes atribuídas oficialmente à intoxicação por metanol.
Diante da gravidade, o Governo Federal estabeleceu um protocolo de ação urgente para lidar com as intoxicações por metanol, orientando profissionais de saúde a notificarem imediatamente casos suspeitos, investigarem e tratarem, além de montar uma sala de situação para monitoramento.
Metanol vs Etanol: o que muda
É importante distinguir:
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O etanol é o tipo de álcool presente em bebidas alcoólicas regulamentadas (cerveja, vinho, destilados), que embora causador de efeitos adversos em excesso (ressaca, danos ao fígado, etc.), possui um perfil de toxicidade muito mais conhecido e regulado.
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Já o metanol (álcool metílico) é extremamente tóxico ao organismo humano. Não é seguro para consumo, pois, quando metabolizado, origina substâncias como formaldeído e ácido fórmico, que causam danos graves.
Efeitos no organismo e no sistema digestivo
Quando uma pessoa ingere metanol, os efeitos começam com sintomas relativamente inespecíficos, o que pode atrasar o diagnóstico. Os principais impactos incluem:
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Sistema digestivo
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Náuseas e vômitos
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Dor abdominal intensa, muitas vezes em cólica
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Distúrbios gastrointestinais como diarreia ou desconforto digestivo
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Visão e sistema nervoso
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Visão turva, alterações visuais, até cegueira parcial ou total, decorrentes de lesão no nervo óptico causada pelo ácido fórmico.
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Confusão mental, tontura, cefaleia forte, convulsões em casos mais graves.
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Outros órgãos
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Fígado: impacto metabólico elevado, já que o fígado é quem processa essas substâncias tóxicas.
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Sistema renal: risco de comprometimento da função dos rins.
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Possibilidade de coma e morte, dependendo da quantidade ingerida, do tempo até tratamento e da quantidade de metanol metabolizado em produtos tóxicos.
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Tempo de aparecimento dos sintomas
Os sintomas podem surgir de 12 a 24 horas após o consumo. Isso significa que alguém pode não perceber imediatamente, ou atribuir os sinais a um “mal‐estar comum”, ressaca ou indigestão, retardando o atendimento médico e agravando as consequências.
Por que o cenário atual é preocupante
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O número de casos suspeitos já ultrapassa o dobro da média anual registrada: antes, normalmente havia cerca de 20 casos por ano no Brasil.
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A ocorrência concentrada em curto espaço de tempo sugere um possível lote contaminado ou ação criminosa de adulteração de bebidas.
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O diagnóstico tardio ou incorreto pode levar a sequelas permanentes, como cegueira ou danos neurológicos irreversíveis.